Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Gastronomia
MSN - luana-orlandi@hotmail.com



Histórico


Outros sites
 Agência Carta Maior
 Observatório da Imprensa
 Digestivo Cultural
 Fazendo Media
 Youtube
 Panis et Circenses (pós)
 As muitas e as mídias (pós)
 Media (pós)
 Comprehendere a media (pós)
 Duca Reis (pós)
 Epistemicidade (pós)
 Eu tenho poder (pós)
 Iuri Freitas (pós)
 Poder da mídia (pós)
 Pensando M&P (pós)
 Peripécias (pós)
 Galvão (pós)
 Blog do DIMAS - Oficial M&P
 Kibe Loco
 Repórter Brasil
 Olho de Mosca
 Allan Sieber


 
Luana Orlandi


Meus amigos são os melhores

Sente só o PESO do mais novo blog da turminha de Mídia e Poder do Dimas. AQUI. Claro, ele é meu amigo e o mais sagaz aluno da classe.

Escrito por Luana Orlandi às 18h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



Os blogs

Sim, eles são o melhor espaço independente para a comunicação, no mundo nosso de todo dia. 'Territorio Libre'! Ié!



Escrito por Luana Orlandi às 18h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



Fazendo Media

Site interessante (e, até a poucos minutos, desconhecido por mim) para quem pretende discutir Mídia e Poder. AQUI.



Escrito por Luana Orlandi às 17h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



Mídia e Poder no cinema

 

Boa noite e boa sorte (Good night, and good luck)

 

Direção: George Clooney

Ano de produção: 2005

 

O filme, que teve 4 indicações ao Globo de Ouro e 6 indicações ao Oscar, narra o embate entre o jornalista Edward Murrow, da CBS, e o senador americano Joseph MacCarthy, nos Estados Unidos dos anos 50. Na mesma época, eram iniciadas as primeiras transmissões jornalísticas pela televisão, fazendo com que notícias e comentários de jornalistas atingissem um número recorde de espectadores em todo o país, como nunca antes na história.

 

O título original é a saudação utilizada por Murrow ao se despedir dos telespectadores de “See it now” (programa apresentado por ele nos anos 50 e palco principal do filme), quando desejava a todos “Boa noite e boa sorte”. Em preto-e-branco, com jazz de primeira qualidade executado pela impecável Diane Reeves, “Good night, and good luck” traz a história real de um político inescrupuloso que promove uma “caça aos comunistas” dentro do país, amedrontando e confundindo milhões de americanos. E a coragem de um jornalista que, com o suporte de uma equipe fiel e de seu canal de televisão, ousa enfrentar o poderoso líder.

 

A “caça às bruxas comunistas” de McCarthy consistia em acusar, sem provas, trabalhadores comuns do país (curiosamente, negros, estrangeiros e minorias étnicas) de comunismo, ou “red scare” (ameaça vermelha, no sentido literal) – “ameaças reais” à segurança pública. Estas pessoas eram expostas, iam a julgamento, perdiam seus empregos e dignidade, tudo isto sem haver nenhum fato concreto. Murrow, indignado e em busca de levar aos seus espectadores a verdade, a notícia sem “tendencionismos”, compra uma briga com o senador em seu programa semanal, desmascarando-o aos poucos em rede nacional. O que, obviamente, irrita profundamente anunciantes e membros do governo, e coloca a CBS em situação de risco. Pois, no meio desta guerra travada entre o jornalista e o político, raríssimos eram os meios de comunicação ou profissionais da área a defender as posições de Murrow, ou até mesmo comentar as denúncias contra o senador. E, para anunciantes e publicitários, a televisão deveria servir, a grosso modo, para vender seus produtos, divertir e alienar o público, distanciando-o de notícias “desagradáveis” e “perturbadoras da paz”. O jornalismo, que deveria acima de tudo defender o direito à liberdade de comunicação e de saber, era então um “agente” submetido ao crivo dos “pagantes” para operar e informar, de acordo com os interesses comerciais da empresa.

 

Dentro desta “guerra” travada, o enredo de “Good night, and good luck” se desenrola com programas inteiros dedicados a desmascarar as táticas infundadas do senador para atacar inocentes, enquanto se multiplicam as ameaças aos funcionários da CBS e, em particular, da equipe de Murrow, por parte dos interessados em “abafar o caso”. É interessante saber que, originalmente, o programa “See it now” era dedicado, prioritariamente, a trazer para os espectadores notícias cotidianas, curiosas e os acontecimentos “marcantes” da semana. Sua linha editorial era assim definida: “Simples, lúcida e inteligente análise das novas “top” histórias da semana, na televisão. Uma forma efetiva de apresentar as notícias e personalidades envolvidas nelas com humor, e às vezes indignação, porém sempre com um tratamento cuidadoso”. Ou seja, os idealizadores do programa não pretendiam gerar polêmicas ou revelar escândalos do poder, porém não contavam com um jornalista como Murrow à frente da programação.

 

Assim, sendo primeiramente um programa de apelo popular, não se sabia exatamente como os telespectadores reagiriam às denúncias, sérias e politizadas, de Murrow. Porém, estas foram aprovadas pela maioria esmagadora dos americanos. Provando que, ao contrário do que anunciantes, empresários e políticos defendiam, os espectadores não eram tão alienados quanto se supunha. Um fato isolado no filme, que merece destaque e mostra o sucesso e poder do programa no contexto social da época, é a aparição de um tenente (irlandês) da Aeronáutica que é acusado de comunismo e, por isso, expulso de seu cargo. Não havia nenhuma evidência de comportamento “fora de padrões”, seu trabalho nunca fora questionado mas, depois de insinuações de McCarthy, o homem em questão perde o emprego e a dignidade, perante os americanos de todo o país. Tendo conhecimento do caso, Ed Murrow convida o homem e seus familiares ao programa, tendo espaço para dar sua versão dos fatos àqueles telespectadores. Com as denúncias de Ed Murrow em seu “See it now” e o apelo popular ali gerado, o caso volta a ser investigado, e a Aeronáutica decide readmitir o tenente, concordando que nunca existira provas de comportamento subversivo por parte do empregado.

 

O empenho do jornalista culmina num pronunciamento do próprio McCarthy, exercendo seu direito de resposta em rede nacional, buscando apoio dos espectadores da CBS. Porém, ao invés disso, McCarthy dá um tiro no pé, sendo colocado sob investigação pelo Senado, por conta de suas denúncias de difícil comprovação, logo após a transmissão. Esta foi, sem dúvida, a maior vitória da equipe de Ed Murrow. A verdade viera a tona, e a máscara do senador finalmente caíra, em frente a milhares de americanos atônitos.

--

 

* O filme mostra a luta incansável de um bom jornalista para levar ao seu público informações relevantes e de importância social. Murrow acreditava, inclusive, que boas notícias poderiam ajudar a “desalienar” americanos, que estavam cada vez mais próximos de programas meramente de entretenimento e mais distantes de acontecimentos importantes para suas vidas, seu país. E a crença do jornalista é intrínseca ao exercício da profissão, seguindo o preceito de que informação é poder. Ou seja, quem tem acesso à informação variada, à cultura, tem também mais condições de formular pensamentos e opiniões próprias, e combater informações inúteis, falsas ou tendenciosas. O jornalista queria combater o que nós, profissionais de comunicação, combatemos até hoje: a censura, a meia-informação, a meia-verdade, existentes em favorecimento de anunciantes, empresários e “poderosos em geral”. Combate-se a “mercantilização” de informações (as notícias devem, impreterivelmente, passar pelo crivo de empresários e anunciantes para ser veiculadas, não importando seu valor como utilidade pública). Ou, no caso do filme, as notícias sem apuração, totalmente falsas, veiculadas sem critérios, apenas por partir da boca de um poderoso.

 

Mídia é poder, dentro deste contexto, por oferecer informações variadas para seus “consumidores”, e ter estas informações “consumidas” como verdades absolutas, sem muitas contestações. O que é veiculado por um jornal impresso ou um programa televisivo é encarado, pela maior parte da sociedade, como verdade incontestável. E é baseada nestas informações que as pessoas se instruem e formam opinião. O problema é que este poder pode servir a diversos lados, tanto para quem tem “o poder do capital” e não está interessado em ser “desmascarado” ou destituído de sua posição, como também para a opinião pública, pessoas que buscam nos meios de comunicação canais de boa e isenta informação. É óbvio que é deste lado que a mídia deveria estar sempre e em todos os casos, mas também sabemos que não é isso o que acontece, nem o que acontecia já no início da profissão.

 

A mídia tem, portanto, poder enorme para informar e ajudar nações inteiras a se instruírem e combaterem maus políticos, maus projetos, maus empresários, más idéias para si e os próximos. O que precisa é ter também a liberdade necessária para operar com dignidade e verdade, sempre, e combater assim os “donos do poder”, que muitas vezes têm apenas intenção de embaçar a vista das “grandes massas”.

 

  • Incansável defensor da idéia de que “combates devem acontecer no plano das idéias, e não de guerras”, Ed Murrow faz um belo discurso sobre o papel da mídia e dos jornalistas na Convenção da Radio-Television News Directors Association (Associação dos Diretores de Rádio e Telejornalismo), em 1958, data em que é homenageado. O pronunciamento pode ser lido aqui.
  • Não deixe de visitar o site oficial de “Boa noite e boa sorte”, aqui.


Escrito por Luana Orlandi às 20h28
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]